O Serviço Regional de Proteção Civil, IP-RAM (SRPC, IP-RAM), começou a acolher, desde a passada sexta-feira, 18 de setembro, 63 docentes de estabelecimentos de ensino da Madeira e do Porto Santo, no âmbito de uma ação de formação destinada a reforçar a prevenção de riscos e a promoção de uma cultura de segurança nas escolas da Região Autónoma da Madeira.
Com uma duração de 25 horas, esta formação, acreditada pela Direção Regional de Educação, visa capacitar os participantes para o desempenho das funções de Delegado de Segurança e para a dinamização do projeto regional «Educação para a Segurança e Prevenção de Riscos», numa parceria da Secretaria Regional da Educação com o Serviço Regional de Proteção Civil, IP-RAM, que conta com o apoio dos Serviços Municipais de Proteção Civil, Corpos de Bombeiros e demais Agentes de Proteção Civil, contribuindo para uma comunidade educativa mais informada, preparada e resiliente.
O processo de preparação para o novo ano letivo divide-se em duas fases:
A primeira fase que decorreu no passado dia 11 de setembro e que reuniu 145 docentes que se mantêm nas funções de Delegado de Segurança desde o ano transato. Esta sessão de trabalho versou sobre o alinhamento dos objetivos do projeto e preparação das atividades para o novo ano letivo, envolvendo estabelecimentos de ensino público e privado da Região.
A segunda destina-se a integrar os novos 63 docentes para reforçar a rede de profissionais envolvidos na promoção da segurança e da prevenção de riscos em contexto escolar.
A formação conta com uma equipa multidisciplinar de especialistas do Centro de Formação e Treino em Emergência e Proteção Civil do SRPC, IP-RAM, da Direção Regional de Educação, da Direção Regional da Saúde, da Divisão de Serviços do Consumidor e da Associação Insular de Geografia, assegurando uma abordagem integrada às diferentes dimensões da segurança e da prevenção de riscos.
Os Delegados de Segurança assumem um papel fundamental na ligação entre a Proteção Civil e a comunidade educativa, contribuindo não apenas para a implementação das medidas de segurança contra incêndios nos estabelecimentos de ensino, mas também para a sensibilização de alunos, docentes e demais colaboradores, promovendo comportamentos preventivos e uma resposta adequada perante emergências.
Esta aposta na capacitação dos profissionais de educação reforça o compromisso do SRPC, IP-RAM, com a prevenção e a sensibilização das comunidades, reconhecendo a escola como um espaço privilegiado para desenvolver conhecimentos, competências e comportamentos de autoproteção desde as idades mais jovens.
O Presidente do SRPC destaca a importância de sustentar uma cultura de prevenção desde a escola
No arranque da sessão formativa, o Presidente do Conselho Diretivo do Serviço Regional de Proteção Civil, IP-RAM, Richard Nunes Marques, destacou a importância do reforço da rede de Delegados de Segurança e do envolvimento dos estabelecimentos de ensino na construção de uma Região mais preparada.
«A segurança começa na prevenção, e a escola tem um papel determinante na formação de cidadãos mais conscientes dos riscos e mais preparados para agir perante uma emergência. A participação dos docentes nestas ações e a disponibilidade para dinamizar este projeto demonstra o compromisso das escolas com este desígnio regional. Os Delegados de Segurança são atores fundamentais do Sistema de Proteção Civil, pelo que importa valorizar o seu papel enquanto agentes da mudança e multiplicadores de conhecimento junto de toda a comunidade educativa. Investir na Educação para o Risco é investir na segurança das nossas crianças e jovens, das suas famílias e, consequentemente, de toda uma comunidade que queremos cada vez mais resiliente.»
Com esta iniciativa, o SRPC, IP-RAM, reafirma a sua aposta na Educação para o Risco enquanto instrumento essencial para promover uma cultura de prevenção, fortalecer a capacidade de autoproteção e contribuir para uma Região Autónoma da Madeira mais segura e resiliente.
Os Coordenadores do Projeto, Professores Diogo Neves e João Lourenço, realçam que “a promoção de uma cultura de segurança é hoje um 'assunto vivo' no quotidiano das escolas, seja na questão da sensibilização e treino do Plano de Prevenção e Emergência, dos riscos naturais ou dos gestos que salvam vidas, num exemplo forte de articulação entre as instituições parceiras desde o início do projeto.



O Serviço Regional de Protecção Civil, IP-RAM recebeu a visita do Embaixador dos Estados Unidos da América, John Joseph Arrigo, numa oportunidade para dar a conhecer a organização, o funcionamento e as capacidades do Sistema Regional de Proteção Civil da Região Autónoma da Madeira.
Missão do projeto europeu NERO promove investigação aplicada na Região e reforça a ligação entre conhecimento científico, tecnologia e necessidades operacionais.
Entre os dias 2 e 8 de setembro, a Região Autónoma da Madeira recebeu um grupo internacional de investigadores no âmbito do NERO – European Network on Extreme Fire Behaviour (COST Action CA22164), uma rede europeia dedicada ao avanço do conhecimento sobre fenómenos extremos associados aos incêndios rurais e à aproximação entre a investigação científica e a sua aplicação em contexto operacional.
A missão contou com a participação de quatro investigadores de diferentes nacionalidades, Mario Miguel Valero Pérez, Pegah Aflakian, Salini Manoj Santhi e Thijs Stockmans que, durante uma semana, desenvolveram trabalho de investigação aplicada em estreita articulação com o Serviço Regional de Proteção Civil, IP-RAM (SRPC, IP-RAM), no âmbito do recentemente criado Núcleo de Apoio à Decisão e Análise Integrada de Riscos (NADAIR) do Comando Regional de Operações de Socorro (CROS).
Durante a permanência na Região, os investigadores tiveram contacto direto com as estruturas operacionais, conheceram os procedimentos, capacidades e ferramentas utilizadas pelo SRPC, IP-RAM, num espaço de partilha de conhecimento.
Os trabalhos incluíram a análise de casos reais de incêndios, a exploração e tratamento de diferentes fontes de informação e o desenvolvimento de soluções tecnológicas destinadas a facilitar e sistematizar a recolha de dados no terreno.
Esta componente assume particular relevância para o estudo do comportamento do fogo, ao permitir melhorar a qualidade, consistência e comparabilidade da informação recolhida durante e após as ocorrências e, consequentemente, produzir conhecimento científico cada vez mais sustentado na realidade operacional.
Ciência aplicada às necessidades de quem está no terreno
A presença dos investigadores na Madeira representa, por isso, mais do que um exercício de intercâmbio científico. Constitui uma oportunidade para colocar a investigação em contacto direto com quem diariamente planeia, analisa, decide e responde aos incêndios rurais, permitindo confrontar metodologias, tecnologias e soluções científicas com os desafios concretos encontrados no terreno.
A aproximação entre investigação e resposta permite transformar conhecimento em capacidade efetiva de antecipação, decisão e resposta. Simultaneamente, os problemas e necessidades identificados pelos profissionais no terreno podem contribuir para orientar novas linhas de investigação e estimular o desenvolvimento de ferramentas com verdadeira utilidade operacional.
Neste domínio, a Região Autónoma da Madeira apresenta características particularmente relevantes para o desenvolvimento de investigação aplicada aos incêndios rurais. A orografia acentuada, a diversidade de combustíveis, as condições meteorológicas específicas e a forte interação entre espaços florestais e rurais e zonas habitadas criam um contexto complexo e exigente para testar metodologias, tecnologias e novas abordagens de análise e apoio à decisão.
Esta colaboração enquadra-se na visão estratégica do SRPC, IP-RAM de reforçar não apenas a capacidade de resposta às ocorrências atuais, mas também a capacidade de antecipar os desafios futuros associados aos incêndios rurais. A aposta na inovação, qualificação técnica, análise de dados, tecnologia e cooperação com instituições e redes científicas internacionais procura contribuir para uma proteção civil cada vez mais informada, antecipatória e sustentada em conhecimento.
A articulação da missão e a ligação entre investigadores, analistas e estrutura operacional do SRPC, IP-RAM contou com o apoio e moderação pedagógica da GREENFLAME, enquanto parceiro estratégico no processo de capacitação da análise integrada de riscos e formação dos atores do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro (SIOPS) da RAM que integram o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), facilitando a interpretação da informação necessária ao desenvolvimento dos trabalhos.
Para Richard Marques, Presidente do Serviço Regional de Proteção Civil, IP-RAM, «o grande desafio é conseguirmos transformar ciência em capacidade operacional. Queremos que o conhecimento produzido pelos investigadores encontre no terreno problemas reais para resolver e que, em sentido inverso, aquilo que aprendemos diariamente nas operações possa gerar novas perguntas para a ciência. A Região Autónoma da Madeira, pelas suas características e pela experiência acumulada, pode ser um verdadeiro laboratório de investigação aplicada, contribuindo não apenas para melhorar a nossa capacidade de antecipação e resposta, mas também para produzir conhecimento útil a outros territórios confrontados com incêndios cada vez mais complexos e extremos».
Madeira como território de conhecimento e inovação
A participação da Região Autónoma da Madeira neste tipo de iniciativas permite igualmente contribuir para uma dinâmica internacional de partilha de conhecimento e aprendizagem mútua.
O conhecimento produzido e testado na Região pode ajudar a melhorar a compreensão dos incêndios extremos noutros territórios, da mesma forma que a experiência, investigação e tecnologia desenvolvidas noutros países podem ser incorporadas e adaptadas à realidade madeirense.
A colaboração desenvolvida ao abrigo do projeto NERO reforça, assim, a importância de estabelecer pontes permanentes entre investigação, tecnologia e operação, posicionando a Madeira não apenas como um território que beneficia do conhecimento científico produzido internacionalmente, mas também como um território que participa ativamente na sua construção, validação e aplicação.





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